Ecossistema de inovação amplia vantagem competitiva de Joinville
Atualizado: 1 de set.

Joinville sempre teve uma forte base industrial, conhecimento técnico e pessoas empreendedoras. Mas foi a aproximação entre esses diferentes ativos, em torno de objetivos comuns, que ajudou a transformar a cidade em um dos principais ecossistemas de inovação do Brasil. Essa foi a mensagem apresentada no Startup Summit 2026 — um dos maiores eventos de inovação, tecnologia e empreendedorismo da América Latina —, realizado de 26 a 28 de agosto, em Florianópolis.
O painel "Por que Joinville virou terreno fértil para inovação?" reuniu William Escher, secretário de Desenvolvimento Econômico e Inovação de Joinville; Fabiano Dell Agnolo, presidente do Ágora Tech Park; Lincoln Rezende, representante da ArcelorMittal; e Rogers Pereira, diretor executivo do Join.Valle.
A partir das perspectivas do poder público, da academia e das instituições de ciência e tecnologia, da iniciativa privada e da sociedade civil organizada, os painelistas apresentaram como a atuação integrada desses diferentes atores vem criando condições para fortalecer a inovação, o empreendedorismo e a competitividade dos negócios na cidade.
“Joinville sempre teve grandes indústrias, conhecimento técnico e pessoas empreendedoras. Só que esses ingredientes, sozinhos, não fazem necessariamente um ecossistema. O que mudou foi que esses atores passaram a atuar de maneira mais conectada, mais integrada, para impulsionar o crescimento da região em uma direção comum”, afirmou Rogers.
A evolução apresentada durante o painel também é respaldada por indicadores econômicos e de inovação, mas, segundo Rogers, os números são consequência de uma construção mais ampla. “Os indicadores são evidências, mas não são o mais importante. O mais importante é a história por trás desses números e como a colaboração entre governo, instituições de pesquisa, desenvolvimento e inovação, empresas e sociedade ajudou a transformar Joinville em um ecossistema fértil para inovação e grandes negócios”, destacou.
Joinville possui a maior economia de Santa Catarina — registrou crescimento de mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) em cinco anos, entre 2019 e 2023, conforme os últimos dados oficiais divulgados pelo IBGE —, abriga cerca de 1.300 indústrias e permanece entre os dez principais ecossistemas de startups do Brasil, de acordo com o Global Startup Ecosystem Index 2026. Também é reconhecida como a terceira melhor cidade brasileira para empreender, segundo estudo da Endeavor e Enap.
Ecossistema unido no Startup Summit
Além da participação na programação oficial, o ecossistema de inovação de Joinville esteve presente nos três dias do Startup Summit 2026 com o estande Cidade de Joinville, espaço dedicado a apresentar as potencialidades da cidade, ampliar conexões e gerar oportunidades com startups, empresas, investidores e outros ecossistemas do país.
A iniciativa reuniu dez marcas que representam diferentes atores do ecossistema: Prefeitura de Joinville, Ágora Tech Park, Expoinovação, Conecta Projetos, Softville, Nexus AI Campus, ACIJ/NTI, Join.Valle, Sebrae SC e ArcelorMittal.
Entre as atividades realizadas no estande, os visitantes puderam conhecer o mapa digital do ecossistema de inovação de Joinville, participar de um quiz sobre a cidade e completar a Jornada da Inovação, dinâmica que premiou os participantes com um guarda-chuva. As ações contribuíram para apresentar Joinville de forma interativa e estimular conexões entre o público e as instituições presentes no espaço. Confira a galeria de fotos:
Poder público prepara o terreno
Ao apresentar o papel do poder público, William Escher destacou iniciativas voltadas à criação de um ambiente favorável aos negócios, com redução da burocracia, segurança jurídica, planejamento de longo prazo e mecanismos que aproximam startups das demandas do município.
Joinville definiu cinco eixos para orientar seu desenvolvimento nos próximos 15 anos: saúde, logística, turismo, inovação e a tradicional indústria metal-mecânica e plástica. Entre as ações apresentadas estão o Sandbox Regulatório, mudanças na legislação do ISS e medidas de simplificação para a abertura de empresas de baixo risco. Segundo Escher, mais de 55 mil CNPJs foram abertos na cidade nos últimos cinco anos.
Outro exemplo é o Contrato Público para Solução Inovadora (CPSI). Na segunda rodada da iniciativa, mais de 20 desafios da administração municipal foram apresentados ao mercado e receberam quase 300 propostas de soluções de startups de diferentes regiões do Brasil.
“A prefeitura não é quem toca a banda. Ela faz parte da banda. Nosso papel é ajudar a definir o norte e criar as condições para que o empreendedor consiga desenvolver o seu negócio”, resumiu Escher.
Conhecimento que se transforma em inovação
Na perspectiva da academia e das instituições de ciência, tecnologia e inovação, Fabiano Dell Agnolo destacou que resultados relevantes são construídos no médio e longo prazo e dependem da atuação de muitas pessoas e organizações.
Entre as iniciativas apresentadas estão programas de inovação aberta que aproximam empresas e pesquisadores de diferentes universidades para solucionar problemas complexos, ações de formação de talentos, estímulo ao empreendedorismo dentro das instituições de ensino e ampliação do acesso a laboratórios.
Dell Agnolo também destacou o FabLab do Ágora Tech Park, que completa dez anos e funciona como espaço aberto para desenvolvimento e prototipagem. Segundo ele, empresas de base tecnológica e projetos de alto potencial já nasceram nesse ambiente, demonstrando a importância de disponibilizar infraestrutura e conhecimento para que ideias possam ser experimentadas e transformadas em soluções.
“Não se faz nada realmente relevante e impactante no curto prazo e tampouco a poucas mãos”, destacou.
Indústria leva desafios reais para o ecossistema
Representando a iniciativa privada, Lincoln Rezende apresentou a experiência da ArcelorMittal na inovação aberta e destacou o papel das grandes empresas na conexão com startups, universidades, hubs, centros de pesquisa e instituições do ecossistema.
A partir de desafios reais da operação industrial, a empresa vem desenvolvendo e testando soluções em parceria com diferentes atores. A estratégia também envolve pesquisa e desenvolvimento, experimentação, formação de pessoas e estímulo a uma cultura mais aberta à inovação.
Para Rezende, a participação da indústria no ecossistema passa justamente por colocar problemas concretos à disposição de quem pode desenvolver novas respostas, criando oportunidades para startups e pesquisadores e, ao mesmo tempo, aumentando a capacidade de inovação das próprias empresas.
Cultura de colaboração conecta o ecossistema
Ao abordar o papel da sociedade civil organizada, Rogers Pereira destacou uma característica que, segundo ele, ajuda a diferenciar Joinville de outros territórios que também possuem universidades, empresas, poder público e instituições de apoio: a cultura de associativismo e colaboração.
“Várias cidades do país têm universidades, grandes empresas, prefeitura e associações. A grande diferença em Joinville é a cultura de associativismo que a gente tem. Essa cultura de se conectar com o outro, colaborar e fazer coisas juntos faz parte do nosso DNA”, afirmou.
Um dos espaços onde essa articulação acontece é a governança do ecossistema de inovação, fórum aberto que reúne representantes das diferentes hélices para identificar barreiras, potencializar projetos, buscar sinergias e construir agendas conjuntas.
O Join.Valle atua nessa articulação com a missão de impulsionar o empreendedorismo e a inovação e contribuir para que as condições para empreender e inovar sejam cada vez melhores na cidade. Essa atuação começa no estímulo à mentalidade empreendedora e ao interesse de jovens pela ciência, passa pela formação de novos empreendedores e chega ao acompanhamento da evolução do próprio ecossistema. Entre as iniciativas citadas durante o painel estão a Quest – Feira de Ciências, o JEDI – Jornada de Empreendedorismo, Desenvolvimento e Inovação e o mapeamento periódico dos negócios inovadores de Joinville.
Ecossistema como vantagem competitiva
Ao sintetizar a discussão, Rogers destacou que a qualidade do ambiente onde uma empresa está inserida influencia diretamente sua capacidade de competir.
“Hoje, a competitividade dos negócios não depende apenas das fortalezas de cada empresa. Depende cada vez mais das vantagens competitivas do ecossistema do qual ela faz parte. Disponibilidade de talentos, capital, fornecedores, velocidade para validar soluções, ambiente regulatório favorável e capacidade de encontrar as conexões certas são fatores que estão fora da empresa, mas fazem diferença para o seu crescimento”, afirmou.
Na avaliação do diretor executivo do Join.Valle, é a combinação dessas diferentes forças que explica o ambiente construído pela cidade: o governo prepara o terreno, a academia transforma conhecimento em capacidade, as empresas convertem desafios em inovação aplicada e a sociedade conecta os diferentes atores para que funcionem efetivamente como um ecossistema.
Ao final do painel, Rogers reforçou o convite para que empreendedores, investidores e empresas conheçam a cidade e se conectem com suas instituições.
“Joinville tem um ecossistema aberto. Qualquer porta que você bater vai encontrar alguém disposto a ajudar e a fazer uma conexão. Queremos que mais pessoas conheçam o que está sendo construído aqui e, para os negócios que se conectam às nossas vocações, Joinville está de portas abertas”, concluiu Rogers.
Sobre o Join.Valle
O Join.Valle é uma instituição que promove a inovação e o empreendedorismo e fortalece o ecossistema de Joinville e região. Tem como propósito ser um agente transformador, que oportuniza conexões, fomenta negócios e impulsiona o desenvolvimento econômico. Desta forma, contribui para que a cidade seja um dos melhores lugares para viver e empreender. Sustentabilidade, ética e colaboração são valores que a associação imprime em suas ações, projetos e programas.




